- Droga! Droga! Droga! - eu falei
E só isso bastou para a minha melhor amiga me perguntar o que aconteceu. Eu expliquei que havia esquecido de comprar o caderno para o trabalho de biologia que era no dia seguinte e que agora eu tenho que correr para a papelaria mais próxima antes que minha mãe chegue para me buscar. Ela murmurou algo e em seguida me desejou boa sorte. E eu com certeza ia precisar.
Então eu tinha 20 minutos para enfrentar o sol e subir a ladeira, entrar na loja, escolher o caderno, enfrentar uma fila, pagar e voltar para a escola. É... eu ia ter que me virar nos 30. Então comecei a fazer o que eu tinha planejado. Fui em direção a papelaria e quando cheguei lá não sabia para que lado era os cadernos. Era uma loja grande. Tinha dois andares divido em mochilas, cadernos, livros, materiais, pastas e tudo mais que se tinha em uma papelaria (e talvez mais um pouco). Todos os vendedores estavam ocupados, a loja estava cheia, e eu estava com um olhar de desespero. Até que um garoto com a aparência de ser apenas um ano mais velho que eu, de olhos verdes, cabelo bagunçado e t-shirt podrinha chegou perto de mim.
- Você parece perdida. Está procurando o que?
- Um caderno pequeno. - A minha voz falhou um pouco mas ele entendeu. - Você é vendedor?
- Quase isso. Venha comigo.
Eu segui ele em direção as escadas e ele começou a puxar assunto. Perguntou para que eu queria o caderno, que escola eu estudava, e quando eu conseguia rebatia a pergunta também. Quando chegamos lá na seção dos cadernos eu vi um caderninho perfeito. Ele era roxo e tinha uma capa um pouco metalizada. Logo peguei ele e vi uma portinha e sem nem pensar eu falei:
- O que será que tem ali?
- Hmm, não sei. Vamos descobrir?! - Sem eu nem responder ele me pegou pela mão e atravessamos a porta.
- Não deveriamos estar aqui! - Eu falei indignada.
- Relaxe. Vamos dizer que sou amigo dos donos. - Eu fiquei sem reação. Quem é ele? O que a gente ta fazendo nessa salinha com produtos de limpeza amontoados?
- Quem é você? Quer saber? É melhor eu ir.
- Não. Fica. Eu sou Matt Gomery.
- Calma. Gomery? Assim como a Papelaria Gomery?
- Sim. - Ele respondeu de uma forma que parecia até que estava meio envergonhado.
- Bem, prazer te conhecer. Mas eu realmente preciso ir.
Ele pegou no meu braço e pediu para eu esperar. Estava com a mão na maçaneta, respirei fundo e me virei séria. Ele estava com o caderninho e falou:
- Desculpa qualquer coisa. Aqui ó. - Ele me deu o caderninho e continuou. - Um presente meu pra você. Ele deu um sorrisinho e dessa vez quem pediu para esperar foi eu.
- Você não precisa fazer isso.
- Mas eu quero. É só dizer lá na porta que fui eu quem mandei. - Ele respondeu.
- Não sei não...
- Vamos lá. Eu insisto.
- Ok. Obrigada então. - Fui me dirigindo até a porta mais uma vez. Mas algo me fez parar e voltar. Fui na direção dele, sorri, fiquei na pontas dos pés e dei um beijo na bochecha dele. Enquanto isso ele fechou os olhos e suspirou. Era quase como ele estivesse se controlando. Dessa vez eu realmente sai da salinha e fui em direção as escadas.
- Ei! Espera! - Escutei ele gritar. Então olhei para trás e lá estava ele. - Ainda não sei o seu nome.
- Kris Johnson. - Dei um sorriso.
- Lindo nome. Combina com você. - Por essa eu não esperava. Fiquei vermelha e agradeci. - Volte mais vezes ok?
- A gente se ver por aí, Matt.
- Esperarei ansioso.
Sai da papelaria e enquanto voltava para a escola fiquei pensando no dia de hoje e no quanto eu estava atrasada. Mas quer saber? Valeu a pena. E eu com certeza irei voltar lá novamente.